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08/03/2010

Capítulo 16 – Atrás da porta

O relógio marcava 21:00 horas. Estava ficando tarde e Sophie precisava ir para casa. Sem que esperássemos, Pierre e Luna chegaram ao moinho. Quando ele percebeu que Sophie estava lá fez uma careta e me pediu explicações. Contei como tudo havia acontecido principalmente a parte que a minha vida e a dos meus amigos estava escrita naquele livro. Pierre também ficou sem entender o que estava acontecendo, como o restante de nós.

Contei a ele como o capítulo anterior tinha acabado. Podíamos estar diante de uma grande descoberta que poderia revolucionar o mundo, mas lembramos que morávamos em um bairro carente da França, que ter dinheiro não era a principal característica daquele lugar e que muito menos algo extraordinário poderia acontecer. Sempre pessimistas, fomos pegos mais uma vez pelo drible do destino. Ou não.

Continuei a leitura em voz alta para que todos escutassem. O capítulo descrevia minuciosamente o moinho, porém com detalhes magnânimos. Havia uma porta escondida em algum lugar dele que dava para um grande corredor, frio e escuro como contava o livro. No fim desse corredor havia outra porta, cuja chave estava dentro de uma caixa de areia. O problema era que não havia luz em todo o trajeto.

Bernad e Marcus chegavam lá e passaram horas procurando a chave. Marttha e Laryssa, a namorada de Marcus, também estavam lá. Alguns longos minutos depois de chegarem, Marttha encontrou a chave na caixa de areia. Abriram a porta e havia por detrás dela um quarto não muito grande e úmido. No centro do quarto resíduos que denunciavam que uma fogueira havia sido acesa e um baú estava no centro dela.

O capítulo terminava quando Bernad abria o baú e encontrava mais uma chave. Nela estava escrito: “Chave da felicidade”.


Reveja:
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19



Voltei com esse conto. Tou sem tempo saco pra escrever o Amor Suicida. Espero continuar com ele em Breve, por enquanto, vou postar esse conto antigo, mas que eu havia parado de publicálo. Só vai ficar aqui até amanhã, portanto, aproveitem, rs!
Segundona, volta as aulas, volta a rotina e Dourado volta do paredão mais uma vez, rs! aushahsauhshasha
Ah, gostaram do lay novo? Eu gostei.. vlw ae Jamylle pelo template.
Se cuidem-se, fiquem com Deus.

30/12/2009

Capítulo 15 – Cena de Cinema


O silêncio de Sophie era pior do que participar da segunda guerra mundial. Uma sensação de alivio surgiu, porém, a agonia pela resposta me deixava desesperado. Será que finalmente quando consegui deixar claro o que sentia por ela o fiz de maneira errada?

Não restavam mais dúvidas. Uma lágrima saiu dos olhos da minha princesa. Fiquei sem reação, sem saber o que aquilo significava. Surpreendentemente não ouvi nenhuma resposta. Fui pego por seus braços entrelaçando o meu pescoço, seu corpo sendo jogado pra cima do meu ombro e a alegria que Sophie demonstrava deixou aquela noite chuvosa semelhante a um dia de sol nas praias do Brasil.

O belo jardim de rosas rasteiras da casa de Sophie, a chuva que batia forte em nossos corpos e uma luz branca vinda da lua entravam em harmonia para deixar aquele momento mais perfeito ainda. Eu girava Sophie em meus braços, semelhante a uma cena de cinema. E naquele clima de felicidade a pus no chão. Os seus lábios vieram ao encontro dos meus. Sem ouvir nenhuma resposta, tivemos o nosso primeiro beijo.

Não sabia se ria ou chorava. Esperei tanto por isso e finalmente aconteceu. Paramos de nos beijar e ela olhou profundamente em meus olhos. Disse que me amava desde a primeira vez que me viu e que sentia medo de demonstrar isso, pois não sabia qual era o meu sentimento em relação a ela. Mas ficou intrigada com a minha decisão de declarar-me assim, de repente. Antes de começar a falar, disse que parecia loucura o motivo, mas que de fato foi o que aconteceu.

Contei tudo desde o início. Sua expressão era de espanto. Convidei-a para irmos ao moinho e mostrar o livro a ela. Segurei em sua mão – que estavam quentes apesar do frio intenso que fazia – e subimos a colina, agora, a nossa colina. Como era gostoso pensar nisso.

Li o livro pra ela até a parte onde Bernad conversava com Marttha. Ficamos curiosos com o que viria adiante, principalmente com a frase que fechava o capítulo. “Bernad e Marttha finalmente descobriram os segredos daquele moinho”.

Reveja:
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Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19

Ultimo post do ano. Espero que 2010 seja repleto de alegria e felicidade a todos vocês, visitantse do meu blog. Ano que vem prometo várias novidades aqui, aguardem.
Sobre o conto "Caçadores de Histórias" estou pensando em publica-lo oficalmente, por esse motivo, talvez eu não postarei mais os outros capítulos aqui, se quiserem saber o restante da história terão que comprar o livro. É um processo longo mas vai dar certo em nome de Jesus. Deus abençoe vocês, se cuidem blogger's!

Até 2010!

23/12/2009

Capítulo 14 – Declaração

Sophie estava linda. Usava um vestido cor-de-rosa que se limitava em suas coxas. Seu cabelo estava preso com uma tiara que mais parecia uma coroa de princesa e era realmente assim que a via, como a minha princesa. As batidas do meu coração aceleraram ainda mais ao ponto de quase sair pela boca. Por alguns instantes pensei que ele estava em minha garganta. Comecei a gaguejar sem saber o que falar. Ela perguntou se eu estava bem. Respirei fundo acalmei-me um pouco. Comecei puxando um assunto sem lógica para aquele momento, mas logo Sophie me deu interrompeu dizendo que tinha a certeza que eu não tinha ido até lá, na chuva, somente para falarmos da padaria. Essa atitude só fez com que eu me envergonhasse mais ainda. “- Tenho algo para te dizer, mas não tenho coragem”, confessei, cabisbaixo, sem querer ver a sua reação ao ouvir aquilo. Sophie me afirmou que qualquer que fosse o assunto ela iria ouvir com toda a atenção e independente do que fosse, iria ficar sempre ao meu lado. Uma lágrima saiu dos meus olhos e fiz questão que ela visse isso. Seu olhar se estreitou e uma expressão de preocupação se formou em seu belo rosto. Enxuguei a lágrima e, por impulso, comecei a desabafar o que estava preso em mim por tantos anos. Afirmei que por ela eu sentia algo diferente, algo que vai além de uma simples amizade. Quando estava em sua presença meu coração tinha uma batida diferente, uma mistura de inquietação e sensatez, minha respiração não era a mesma, meu corpo tremia e suava, sensações essas que estava fora de meu controle. Algum tempo atrás, tive a certeza que gostava dela mas não tinha coragem de ficarmos face a face e me declarar. Que foram várias as noites em claro pensando se ela gostava de mim do mesmo jeito que eu dela. E que hoje tinha tomado essa decisão, de jogar tudo para o alto, encarar o tudo ou nada e pelo menos uma vez ter uma atitude digna de homem. A expressão de Sophie era indecifrável. Continuei dizendo que fazia de tudo para estar ao seu lado, que me alegrava com as suas visitas e com a ajuda que ela sempre me dava. Mas não podia ir contra o meu coração. Ajoelhei-me, segurei a sua mão e lhe disse: “- Sophie, não posso mais olhar para você e não poder te tocar, te beijar, te abraçar... não posso mais olhar nos seus olhos e fingir que nada acontece. De uma vez por todas... Você quer fazer parte da minha vida como a minha namorada?” Sophie ficou paralisada por alguns instantes. Reveja: Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13

18/11/2009

Capítulo 13 - Supresa!

Não sabia como aceitar essa ideia. “ - Não, é somente coincidência”, foi o que pensei tentando abafar esse novo drible do destino. Como alguém poderia saber ou imaginar o que ia acontecer na minha existência e escrever tudo isso? Ao menos estava explicado o porque de eu ficar nervoso quando o tocava e isso era mais um motivo para me deixar mais preocupado ainda. Será que a minha morte também estava escrita lá? Será que vale a pena saber como iria morrer? Ou se isso for pura coincidência, eu não estaria me preocupando a toa? Quanto mais pensava nisso, mais perturbado ficava. Decidi continuar a leitura desse intrigante livro. Nesse novo capítulo Bernad conversava com uma garota chamada Marttha. Ele estava apaixonado por ela. E ela por ele. Fechei o livro novamente. Será que essa Marttha representava Sophie? Será que na realidade, toda essa amizade por parte de Sophie era uma máscara e, assim como eu, ela também me amava? “ - Deixa de ser bobo Enzo, isso é só um livro”, pensei antes de me prender a brilhante ideia de ir e me declarar a Sophie. Não resisti. Quando menos esperava, estava parado na porta de sua casa. Fiquei alguns minutos, parado, pensando no que ia dizer ou fazer. Para piorar a situação, começou a chover. Não me importei com o vento gelado ou com as grossas gotas de chuva caindo sobre minha cabeça. Eu estava em Paris - França. 1985. Era outono e chovia bastante naquela noite. Noite em que a minha vida deu mais uma volta. Noite que me aguardava grandes surpresas. Meu coração começou a acelerar e uma sensação estranha tomou conta de mim. Por dentro eu estava quente. Aquela situação fazia com que o meu amor por Sophie fosse representado por pontadas nas costas e um fogo diferente passava pelo meu estômago. Por fora estava frio. Frio, não só com a chuva pesada, mas pela incerteza no que aquele ato iria resultar. Fechei os olhos. Bati a porta. Sophie atendeu. Reveja: Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Pauta para Anti-Verbal Colunista: James Pimentel :D

09/11/2009

Capítulo 12 - Evidência

Passaram-se alguns minutos e a irmã de Pierre, Marie, apareceu no moinho o chamando de volta para casa. Havia, segundo ela, “alguém” o esperando. Ele saiu sem se despedir de mim. Resolvi segui-los e deixar a leitura do livro para o outro dia, já que aquela frase tão forte na minha mente tinha me deixado perturbado e pensativo. Até hoje tinha conseguido ler somente a epígrafe do livro. Um versículo bíblico para ser mais direto. O preferido de Camille, minha mãe. Todas as noites ela o lia para mim: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna”. João 3:16 Sem que eu houvesse percebido, o livro começara a mexer com as minhas lembranças e os meus sentimentos. Passou-se três dias e eu não via o rosto de Pierre. “- Será o que tinha acontecido com meu amigo?”, era o meu pensamento constante, mas não podia ir a casa dele. Pierre me proibira de fazer isso. Não sei o motivo, mas respeitava a sua decisão. Foram três dias de expectativas, ansioso para ler “Caçadores de Histórias” e ele não aparecia. Subi a nossa colina rumo ao moinho, decidi não esperar mais por Pierre e começar a ler o livro. Minhas mãos começaram a suar, uma ansiedade pairava dentro de mim. O curioso é que eu não sabia o motivo. Não podia acreditar no que estava diante dos meus olhos. O primeiro capítulo daquele livro narrava a morte de uma mulher chamada Isabelle Fontaine, atropelada por um peugeot vermelho enquanto atravessa a rua para encontrar seu marido, Tyerri, e filho, Bernard. Essa coincidência abalou com a minha estrutura emocional. Comecei a chorar e lembrar aquele dia com Camille, o dia em que a pedra preciosa da minha vida me deixava. Como alguém poderia prever o que aconteceria com ela? Porque essa coincidência era tão forte com a minha vida? Deixei as lágrimas de lado e prossegui na leitura. Atento aos acontecimentos do livro, não percebi quando Pierre se aproximou de mim. Fui interrompido pela sua voz dizendo: “- Enzo me perdoe por não ter dado notícias”. Parei a leitura para observar a sua expressão. Ele acrescentou que no outro dia era uma amiga de sua mãe que o esperava em casa. Ela tinha uma filha e que se chamava Luna. Eles foram apresentados, conversaram alguns dias – eis o motivo de sua ausência – e começaram a namorar. Fiquei perplexo com esse acontecimento. Mais perplexo ainda porque era a mesma coisa que estava sendo narrado no livro, quando o amigo de Bernad, Marcus, contava ao amigo que estava namorando. Não restavam mais dúvidas. A minha vida estava escrita nas páginas daquele livro. Reveja: Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10

29/09/2009

Capítulo 11 - Um Sonho

Ao menos era evidente que Sophie só me via como um amigo. Isso já era bastante promissor, já que no fundo do meu coração ainda havia esperança de um dia nos casar. Passando toda essa tempestade, tudo voltou ao normal. Escola, leitura, casa. Escola, leitura, casa. Voltei a essa prática constante. Eu era muito feliz assim. Terminei de ler “A Porta” e me lembrei daquele dia em que fui à biblioteca. O livro estava em baixo da minha cama dentro de uma caixa. Olhei a data de entrega e ainda faltava 7 dias para devolve-lo, tempo suficiente para acabar a sua leitura. Deixei para começar a lê-lo no dia seguinte. O meu dia não foi o mesmo na escola. Não parava de pensar naquele livro e em Sophie. Não sei o porque disso, sim, ele me despertou curiosidade, mas não me chamou tanta atenção com o poder de me desconcentrar na aula. Mas estava acontecendo. Não via a hora de chegar em casa e começar a devorar suas páginas e eu nem sabia o motivo dessa ansiedade. Como se o “destino” tivesse colocado o livro no meu caminho e agora fazendo com que nós nos encontrássemos. Ou seria obra de Deus de quem minha mãe tanto falava? Pierre bateu na campainha e fomos em direção ao “nosso” moinho. Assim dizia ele, mas eu sentia como se aquele moinho fosse somente meu, mas para não magoa-lo, passei a chamar o moinho de nosso. Pierre era um irmão pra mim e não fazia sentido deixar de compartilhar isso com ele, já que estava sempre presente quando eu mais precisava. Sempre íamos conversando sobre nosso dia quando estávamos a caminho do moinho, de surpresa, Pierre me disse que tinha um grande sonho: ser rico. “- Já não consigo ver minha família sofrendo Enzo. Queria ser rico pra acabar com essa miséria em que vivemos já que a situação do emprego do meu pai nunca muda”, disse Pierre contendo as lágrimas que teimavam em sair do seu olhar. Fiquei com pena do meu amigo mas eu também vivia a mesma situação que ele. Na minha mente veio uma voz forte, como se ela insistisse para que eu dissesse a Pierre que isso ia acontecer. Sacudi a cabeça para fugir desse pensamento fútil, já que probabilidade disso acontecer era praticamente zero. Chegamos ao moinho. Cada um procurou um lugar aconchegante e começamos a ler. A capa de “Caçadores de Histórias” reluzia aos meus olhos como um diamante brilha aos olhos de um mendigo. Não sabia eu as aventuras que aquele livro estava para me mostrar.

18/09/2009

Capítulo 10 - "Amiga"

Pude perceber que os seus olhos brilharam quando ela me reconheceu. Sentou-se ao meu lado no banco e começou a me encarar, parecia que Sophie procurava as palavras corretas, sempre cautelosa com receio de piorar a situação. Finalmente tive uma atitude de homem e perguntei o que ela estava fazendo naquela chuva terrível. Ela respondeu que estava a caminho de casa quando me viu sair desesperado da minha. Ficou confusa e foi até a janela lateral e ouviu o que meu pai estava falando. Segundo Sophie, Louis gritava perguntando a uma mulher o porque de ela ter feito “aquilo”. Eles começaram a discutir e sem dar nenhuma explicação, ele saiu de casa dizendo que sabia onde me encontrar. Sophie o tinha seguido. “- Desde o moinho venho seguindo seus passos, mas você caminha tão rápido que perdi você de vista”, disse Sophie tentando esconder um sua preocupação em me encontrar e logo em seguida perguntou o que havia acontecido. Contei-lhe tudo. Seus olhos, inexpressivos, não deixavam passar sequer um sentimento de raiva – ou quem sabe pena – por aquilo tudo. Ela virou-se para ficar de frente a mim e me olhou nos olhos. Nunca Sophie tinha sido tão doce e ao mesmo tempo tão firme comigo. Disse-me que eu deveria ir conversar com meu pai, o perdoar e aceitar que ele também é uma pessoa e precisava se relacionar novamente. Ela me aconselhou a ir falar pessoalmente com ele, encerrar de vez todo esse “mal entendido” e continuar a vida como se esse episódio nunca tivesse acontecido. Pensei na probabilidade de encontrar com meu pai, com Camille... fui tão infantil que sentia vergonha daquele dia. Preferi ir procura-lo, de qualquer forma, uma hora tinha que enfrentar esse problema. Sugeri que Sophie fosse comigo. Ela concordou e fomos para a minha casa. Louis estava sentado com as mãos na cabeça enquanto Camille lhe abraçava e pedia desculpas. Pierre também estava presente. A conversa foi maravilhosa e ocorreu tudo bem. Sophie pediu permissão para se retirar e foi se dirigindo a rua. Eu acompanhei ela até a porta. Ao nos despedirmos eu lhe agradeci por tudo o que ela tinha feito. A sua resposta atravessou meu coração como uma espada: “- Por um amigo, faria isso mil vezes”. Me beijou no rosto e se retirou. Colunista: James Pimentel :D

10/09/2009

Capítulo 8 - Traição

Decepção. Meus olhos se encheram de lágrimas ao ver aquela cena. Logo pensei que meu pai era viúvo, que deveria viver um novo relacionamento. Mas assim, descobrir daquele jeito. E naquelas circunstâncias? . Nem casados eles estavam, coisa que Camille, minha mãe, sempre tinha me aconselhado a fazer sexo somente dentro do casamento. E lá estava meu pai sobre uma mulher que eu nunca tinha visto antes. Quando perceberam a minha presença, meu pai deu um salto e começou a vestir a camisa e gritar: “ - Enzo, eu posso explicar”. Minha única reação foi sair correndo dali. Sai na rua sem rumo, sem direção, incrédulo no que tinha acabado de presenciar. Eu chorava. Não estava preparado pra ter uma madrasta. Será que realmente esse era o plano de Louis, colocar uma nova mulher dentro de casa? Tinha me acostumado com a nossa rotina, minha e de meu pai. Uma nova mulher iria mudar tudo, não iria? Nunca pensei que ele tinha voltado a se relacionar com alguém e descobrir assim, no ato? Porquê tantas coisas estavam acontecendo comigo? Que futuro me esperava? Resolvi fugir. Fugir não só de meu pai, não só da minha covardia em relação a Sophie, mas fugir de tudo. Fugir para um lugar onde eu pudesse refletir e tentar mudar essa situação. Mas fugir pra onde? Chovia enquanto me fazia essas interrogações. Em nenhum instante parava de pensar em meu pai. O que será que ele estava pensando enquanto a minha reação? Sacudi a cabeça para dispersar esse pensamento e fui em direção a minha colina, pelo menos pra passar a noite enquanto colocava a cabeça no lugar. Quando abri a porta do moinho, Louis estava lá. Reveja: Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 8 Colunista: James Pimentel :D

07/09/2009

Capítulo 7 - Na Biblioteca

Fui a biblioteca fazer a devolução do livro que eu pegara. Era um casebre velho e meio abandonado que ficava ao lado da Escola Secundária de Clichy. A bibliotecária se chamava Mary e já estava bem familiarizada com a minha presença lá. Me cumprimentou e foi dizendo que havia chegado livros novos, todos doados de uma antiga universidade. Livros do departamento de letras, a maioria ficção e escritos pelos professores e alguns alunos. Me interessei e fui dar uma olhada nos novos livros. Meus olhos brilhavam ao contemplar cada capa, cada título, cada história que eu poderia desvendar ao comer e saborear cada uma daquelas páginas que se abriam diante de mim. Um livro em particular me chamou atenção. Não pelo título, mas sim pelo desenho na capa. O nome do livro era “Caçadores de Histórias” e tinha na capa a figura de um moinho. A semelhança com o “meu” moinho era grotesca. Isso me fez levar o livro pra casa. Eu olhava fixamente aquela capa e imaginava o que poderia me levar a descobrir naquelas folhas, amareladas e um pouco empoeiradas, daquele livro. Mary me contou que, uma meia hora antes de eu chegar à biblioteca, Sophie tinha passado lá, observado quem estava no ambiente. “ - Acho que ela não encontrou quem procurava e foi embora”, disse Mary ao mesmo ritmo que meu coração acelerava as suas batidas. Será que Sophie tinha ido me procurar? Será que Sophie sentia o mesmo que eu sentia por ela? Comecei a suar. Mary perguntou se eu estava bem, disse sim com a cabeça e saí de lá. O mundo não exista mais, estava preso em meus pensamentos, na esperança de conquista-la, nos planos que tinha feito ao lado dela, no medo de tudo ser somente coincidência, na possibilidade de ela ter ido procurar outra pessoa, um outro rapaz. Esse ultimo pensamento me deu calafrios. No meio de tantos pensamentos, cheguei em casa. Abri a porta. Ouvi um barulho vindo do quarto do meu pai. As luzes estavam acesas, algo incomum naquele horário. Ouvia gemidos de mulher. Fui ao quarto ver o que estava acontecendo. Foi então que tive uma das maiores decepções da minha vida. Reveja: Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Colunista: James Pimentel :D

03/09/2009

Capítulo 6 - Rosquinhas

“ - Será que estou sonhando novamente?”. Expressão que saiu da minha boca sem que eu a repreendesse antes que saísse. Ela estava em um vestido branco, estampado com figuras de flores do campo. Ao longe, podia sentir o seu perfume se aproximando. E ela estava gritando o meu nome. O meu nome. Pierre fez uma careta sem entender a minha reação quando Sophie finalmente chegou até nós. Ela tinha ido atender um pedido de meu pai. Louis sabia que todas as tardes eu passara o meu tempo ali na colina – como todos os moradores do meu bairro - e foi até a padaria do pai de Sophie comprar umas rosquinhas pra mim e Pierre. Uma surpresa pra mim, meu pai nunca tinha feito isso antes - O pai dela e o meu tinham um acordo. Louis prestava serviços de carpintaria e de segurança à padaria, em troca não tínhamos que pagar pelo que consumimos - Sophie foi entrega-las. Agradeci e perguntei a ela se queria se sentar conosco e saborear aquelas rosquinhas, mas ela disse que tinha muitos afazeres para cumprir. Ficou parada por alguns instantes me olhando fixamente – seus olhos eram inexpressivos nesse momento – e teve uma reação como se acordasse de um pensamento. Despediu-se e saiu correndo. Continuei lendo o livro, agora tranquilo por “metade” do meu sonho ter se tornado realidade. Ao menos naquela tarde eu vira a minha Sophie. Minha doce Sophie. Lembrei-me dos seus olhos se fixando aos meus. O que ela estaria pensando? Como eu queria poder ler mentes naquele momento. Comi as rosquinhas, terminei de ler o livro e fui a biblioteca devolve-lo. Já era noite. Noite essa em que a minha vida começou a ter um novo rumo... Reveja: Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Colunista: James Pimentel :D

31/08/2009

Capítulo 5 - No Moinho

Levantei do sofá apressadamente. Tudo não passava de um sonho. Tudo mesmo. Pierre na rádio, a bela Sophie me visitando... como eu queria que tudo fosse verdade. Atendi a campainha. Era Pierre. Saímos de casa e fomos subir a minha colina. Chegando lá me encostei em umas das paredes do moinho. Ele estava lá desde 1918. Construído por um agricultor no período da primeira guerra mundial. Por dentro, o moinho tinha uma arquitetura bastante simples, como se não houvesse recursos para a sua construção. Era azul com detalhes brancos. No seu interior tinha um cheiro de serralheria e uma escada que leva para o andar de cima, onde tinha um farol. No seu subterrâneo havia uma pequena sala, onde cabiam de 5 a 6 pessoas, provavelmente construída para abrigo durante a guerra. O livro que eu levei dessa vez foi “Os Carbonários", de Alfredo Sirkys, um livro bastante emocionante e o único capaz de prender minha atenção para esquecer daquele sonho. Sophie. A minha Sophie. Como eu queria um dia poder abraça-la, beija-la, casar-me com ela. Mas eu não tinha coragem. Maman sempre dizia que eu era bonito, que a mulher que se casaria comigo seria uma mulher de sorte, mas isso não bastava para que eu tivesse a ousadia de me declarar para Sophie. Tentativa inútil. Eu não conseguia mais tirar meus pensamentos dela. Tudo me lembrava a jovem Sophie. O ar que eu respirava, o lugar onde eu estava, as flores ao meu redor, os passarinhos cantarolando... “ - Deus eu vou enlouquecer”, me vi gritando. Pierre se assustou, perguntou-me o que eu tinha e sacudi a cabeça em sinal de negação. Deite-me na grama e ouvi uma voz – doce e firme - gritando: “ - Ennnnnnnnnnnnnzo”. Virei o rosto para ver quem era, mesmo reconhecendo aquela voz até no Brasil. Era Sophie... Reveja: Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Colunista: James Pimentel :D

27/08/2009

Capítulo 4 - O Beijo

Ela era linda. Parecia que seus belos olhos verdes sorriam para mim toda vez que eu os encarava. Sua boca reluzia um vermelho intenso. Seus cabelos louros, encaracolados, desciam por sobre seus ombros a deixando mais bonita ainda. Seu rosto redondo parecia ter sido esculpido com todo o cuidado e atenção para que nada falhasse. Deu certo. Ela parecia um anjo. Filha do padeiro que mora em frente a minha casa, Sophie era seu nome. Meu coração disparava descontroladamente quando a via, e agora, ela estava ali, parada na minha porta. Tentei falar, mas a minha voz não saia. Por dentro me desesperava a cada segundo que permanecia calado. Ela enfim me comprimentou e eu pude relaxar um pouco. Ficamos uns dois minutos parados ali na porta quando me toquei que não a tinha convidado para entrar. Quando finalmente o fiz, ela disse que já era tarde e que precisava ir para casa, afirmando ter passado aqui pra ver se estava tudo bem. Uma luz no fim do túnel. Será que ela também estava interessada em mim? Uma esperança surgiu. Eu insisti e ela resolveu entrar, mas não ficou por muito tempo. Sentamos no sofá, conversamos mais alguns minutos e eu me aproximei dela. Meu coração começou a acelerar novamente, eu suava parecendo se estivesse numa sauna. Uma rajada de palavras saíram de minha boca, quando dei por mim já tinha me declarado. “ - Eu sempre fui apaixonado por você”, foram as palavras que me condenaram. Ela deu um sorriso. Seus olhos ficaram inexpressivos. Eu sabia que não era a hora certa de fazer aquilo, mas não pude me controlar. E agora? Quais serão as consequências de minhas palavras? Ela aproximou-se e simplesmente me beijou. Seu gosto era doce. Os seus lábios tocavam os meus me fazendo subir nas nuvens. Foi aí então que eu acordei...

24/08/2009

Capítulo 3 - Cupido no Rádio

Meu pai trabalhava das cinco horas da manhã até as dez da noite. Era segurança na Escola Secundária de Clichy, bairro onde moramos. Ele insistia que eu procurasse emprego também, afinal, eu já estava adulto - ele não deixava de me lembrar isso - e precisava ajudar nas despesas de casa, porém, eu só tinha 17 anos de idade e ninguém se interessava em me empregar. Após a morte de minha mãe, passei a fazer o trabalho doméstico e coincidir esse trabalho aquilo que mais gostava de fazer: usar a minha imaginação e mergulhar em um bom livro. Era 15 de julho. Terminei os meus afazeres e esperei Pierre para subirmos a minha colina e passarmos a tarde inteira lendo. Enquanto ele não aparecia liguei o rádio e fiquei ouvindo uma música sem prestar muita atenção na letra. Fui surpreendido com uma interrupção para o inicio de um programa de relacionamentos. Mulheres de todo o bairro ficavam fixadas nesse programa. Os homens também. Na verdade, alguns dos moradores do bairro participavam do “Cupido no rádio” em busca de um novo e ardente amor. Eu achava essa ideia ridícula, quem seria capaz de participar e se expor contando sua vida em um programa desses? Mais uma vez a surpresa. Estava cansado de tantas emoções seguidas, mas esta eu realmente não esperava. Pierre era o novo participante do programa. Sua voz, fanha e ao mesmo tempo estupidamente fina, era reconhecida por todos os moradores do bairro. Começara o seu discurso se apresentando, contando seus defeitos e suas qualidades – que eram muitas, tenho que ser justo. Eu ria da tamanha “coragem” de Pierre e por sua voz ficar ainda mais fina ao som do microfone. Ao mesmo tempo, o admirava. Eu nunca fui “famoso” entre as mulheres e até então nunca tinha dado um beijo em nenhuma. Pierre ia continuando o seu discurso quando a campainha de minha casa tocou... Reveja: Capítulo 1 Capítulo 2 Colunista: James Pimentel :D

21/08/2009

Capítulo 2 - A Perda

Quando meu pai e eu saíamos da loja, conversando e fazendo planos pra aquela noite especial, presenciamos algo que não esperávamos. Do outro lado da avenida, lá estava ela: Camille Bittencur, a mulher que deu a luz a um menino chamado Enzo. Eu. Ela estava carregando consigo um saco de papel cheio de frutas e vinha atravessando a rua, feliz em ver a mim e a meu pai, Louis. Seu sorriso era contagiante, seus olhos cor de avelã, brilhavam ao encontrar-se com a luz do sol que realçava o seu belo rosto e denunciava a sua alegria. Um carro desgovernado surgia dobrando a esquina. Camille estava exatamente no meio da avenida quando avistou o carro, um peugeot vermelho, vindo em sua direção. Tentou fugir, mas parecia que o carro estava destinado a colidir com ela. Houve um grande barulho. A dor tomava conta do meu coração. Em fração de segundos, pude ver a luz deixar os olhos de minha mãe, as suas mãos deixando as minhas enquanto eu as apertava ardentemente e ouvia as suas última palavras: “ - Te amo meu filho. Você é o meu orgulho”. Pensamentos surgiam dilacerando meu peito: Como será a vida daqui pra frente? Como eu conseguirei conviver sem ter minha mãe ao meu lado? Porque isso foi acontecer logo no dia de seu aniversário? Que pessoa tão cruel poderia merecer a morte no dia em que se estaria celebrando mais um dia de vida? Só nos restava chorar. Palavras de consolo naquele momento não eram eficazes o bastante para conter as lágrimas que saíam dos meus olhos. Meu pai e eu ficamos em silêncio enquanto o seu corpo era enterrado. A dor em meu peito era grande, parecia que me tornara uma criança recém-nascida, descobrindo algo novo, uma nova dor, profunda e interminável. Nunca sequer tinha passado um dia sem ver o belo sorriso de Camille e agora, estava tudo acabado. Passaram-se alguns meses após a morte de minha mãe e a minha vida nunca mais foi a mesma desde então... Colunista: James Pimentel ;D Reveja: Capítulo 1

20/08/2009

Capítulo 1 - Lembranças

Paris - França. 1985. Era outono e chovia bastante naquela noite. Meu pai e eu fomos a uma loja de brinquedos na tarde de 15 de Abril. Fazíamos isso uma vez por mês. Meus pais sempre me mimavam levando-me naquela loja. O problema era que eles nunca tinham dinheiro para comprar sequer um saco com bolinhas de gude pra mim. Mas eu insistia para que me levassem lá. Eu adorava ver as crianças, com seus olhos arregalados, observando atentamente os brinquedos e, no final, saírem com a sua sacolinha, felizes, por terem ganhado mais um presente. Eu imaginava como era ter um carrinho. Como seria bom leva-lo para o alto da minha colina favorita e passar longas tardes imaginando ser um caminhoneiro até minha mãe me chamar para o jantar. Era um sonho, que um dia - tinha isso dentro do meu coração - ia se realizar antes de eu completar 18 anos. Não faltava muito tempo, mas a minha esperança permanecia viva. Enquanto o meu sonho não se realizava, eu passava as tardes - depois de uma longa manhã na escola - com a cabeça enfiada em livros de ficção, romances - que eram os meus prediletos. Subia uma colina - que costumava a chamar de "minha" - e ficava deitado à sombra daquele moinho antigo lendo os livros da biblioteca da escola. Pierre se juntava a mim todas as tardes e ficávamos em silêncio, concentrados cada um em seu livro. Por coincidência, aquela também era a data do aniversário de minha mãe. Ela completava 48 anos. Eu e meu pai programamos um jantar especial no restaurante em que minha mãe sonhava em ir, mas quando vimos nossas finanças, nos contentamos em leva-la para comer panquecas. Pelo menos, era o nosso plano até acontecer um inesperado acidente naquele mesmo dia... Colunista: James Pimentel ;D