Sabe aquele amigo que te chama de best e com as atitudes mostra o contrário? Ou aquele que pisa e maltrata a todos e com você é uma doçura? Eu nunca tive um deles, a não ser o J. Ele era o tipo de cara egocêntrico, manipulador e intolerante. Porém, mesmo com tantos defeitos, todos queriam estar perto dele. Menos eu, claro. O bom senso ainda reinava no meu caráter, até o dia que me vendi por biscoitos e chocolate.
Sem forçar a barra e com um pé atrás, aceitei o convite dele para uma festa em sua mansão. Festa do chocolate. Tragam os seus biscoitos - era o tema. Foi estranho ser convidado assim, do nada, mas o que poderia acontecer em uma festa? Arrumei-me do jeito mais simples que pude e, sem hesitar, fui no dia e horário marcado com os meus biscoitos de baunilha nas mãos. Seria tudo perfeito se não fossem por dois detalhes:
1 – Não havia festa alguma;
2 – Ele estava completamente embriagado.
Logo ao abrir a porta fui recebido por um corpo duro feito pedra e completamente fora de si. Era ele, absolutamente dopado. Desajeitado, o apoiei em meus ombros e levei-o para dentro da mansão rumo ao sofá mais próximo.
- O que estou fazendo aqui meu Deus? Pensava, enquanto tirava o seu tênis e sentia aquele odor terrível de chulé. Do nada ele acorda. Me abraça e começa a chorar...
- As pessoas só querem o meu dinheiro e andam comigo por causa da minha beleza. Você foi o único amigo que tive até hoje. Eu sei que você não me conhece, nem eu conheço a você, por isso que eu te chamei aqui. Vamos ser amigos?
Vieram de sobressalto essas frases seguidas de uma rajada de vômito.
Fiquei sem reação. Coloquei-o pra dormir e enquanto ele cochilava pensava naquelas frases. Quão egoísta eu fui! Sempre pensei que era ele o manipulador, o obsessivo, o mestre das artes de encantar e destruir. Todos falavam ao seu respeito, superficial e erroneamente, reconheço.
Passando algumas semanas, quando o conheci mais profundamente, percebi aquilo que acontecia verdadeiramente. A cúpula de proteção camuflada na boçalidade, a repugnância por ser cercado por pessoas que só têm interesses próprios e a ânsia de algum amigo verdadeiro. Foi assim, nessas condições, que conheci o que é, e sempre será, o meu melhor amigo. Um que me escolheu.
Hoje nos embriagamos juntos, diariamente. Na verdade, antes mergulhados na falsidade, vivíamos distantes um do outro. Hoje nos embebedamos do amor e da fidelidade que nos une. Pude conhecer o seu carinho, amor e compreensão e não me vejo mais sem seus abraços e conselhos. Seu nome? É comum chamá-lo de J.C. Não, não é João Carlos, muito menos Julio Cesar. Meu melhor amigo chama-se Jesus Cristo. E essa é a história de dois anos de amizade.
Tenho certesa que eu te surpreendi com esse final né? HAHA
Cuidado com a interpretação dele. Qualquer dúvida me pergunte!
é pauta para o #Blorkutando dessa semana. Espero conseguir algo lá.
Bom, passei um tempo sem postar direito e voltarei aqui amanhã quem sabe e falarei sobre a micro-série Na Forma da Lei. Me assustei com aquele final ontem. Bom, comento depois.
Abraços e até lá!!!