| A peça Tortura, que aborda a perseguição e a humilhação sofrida por missionários do mundo inteiro |
“João nasceu em um lar cristão protestante e desde criança gostava de falar de Jesus para os amigos, que ouviam atentamente cada história que contava. Ele foi crescendo, fazendo novos amigos e muita coisa mudou: nesse momento de sua vida, nem todos paravam para ouvi-lo, pelo contrário, sua religião passou a ser motivo de chacota na escola e no condomínio. As pessoas não toleravam quando ele falava daquilo que acreditava. A cada dia que passava João se sentia mais solitário no mundo: só existam ele e sua fé...”.
Histórias como a de João são reais, mas poucos têm conhecimento de episódios como esse. Por quê? Não consigo encontrar uma resposta plausível para esse questionamento, então concluo com absoluta certeza de que os crimes (sim, crime!) contra a religião protestante são insignificantes de mais para serem divulgados.
Sábado (18) li uma reportagem na revista Trip que informava o crescimento dos crimes homofóbicos no Brasil. Não quero me alongar sobre essa questão, mas também sou a favor da penalização para quem os pratica - desde que seja realmente um crime. Contudo, a reportagem tratou os evangélicos de um modo caricato, como se fossemos os vilões, cujo hobby é maltratar os pobres homossexuais indefesos.
As novelas da rede globo também hostilizam a figura do protestante. Quem não se lembra da personagem de Juliana Paes na novela América, a dona Creusa? Sim, aquela mulher que saia de casa afirmando ir à igreja, mas era pega dando em cima do primeiro homem que aparecesse dentro do ônibus. Desde que me entendo por gente, jamais vi na mídia um personagem evangélico mostrar a pureza da religião, o ser tolerante e amável como muitos são, pelo contrário.
Um protestante não é o criminoso que persegue os homossexuais e é intolerante com qualquer outra parcela da população que tem crenças contrárias as suas. Portanto, se não mostram na mídia, a principal configuração do que realmente se passa na sociedade, o verdadeiro protestante, um sujeito com hábitos e verdades como qualquer outro, posso concluir que a tolerância religiosa está longe de existir. Se quiserem respeito, procurem também tratar os demais com respeito.
Como evangélico, também sofri por causa da religião dentro da universidade da qual estou matriculado (só uma ressalva: estudo na Universidade Federal do Maranhão, uma instituição que prega a tolerância! Irônico, não?). Fui perseguido por um professor somente porque sou evangélico e proferia a minha fé publicamente.
Ser homossexual é um direito garantido por lei. A liberdade religiosa e de expressão também. Se nos acusam de ferir os seus direitos, eu também me sinto lesado por ferirem os meus.












