09/11/2009

Capítulo 12 - Evidência

Passaram-se alguns minutos e a irmã de Pierre, Marie, apareceu no moinho o chamando de volta para casa. Havia, segundo ela, “alguém” o esperando. Ele saiu sem se despedir de mim. Resolvi segui-los e deixar a leitura do livro para o outro dia, já que aquela frase tão forte na minha mente tinha me deixado perturbado e pensativo. Até hoje tinha conseguido ler somente a epígrafe do livro. Um versículo bíblico para ser mais direto. O preferido de Camille, minha mãe. Todas as noites ela o lia para mim: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna”. João 3:16 Sem que eu houvesse percebido, o livro começara a mexer com as minhas lembranças e os meus sentimentos. Passou-se três dias e eu não via o rosto de Pierre. “- Será o que tinha acontecido com meu amigo?”, era o meu pensamento constante, mas não podia ir a casa dele. Pierre me proibira de fazer isso. Não sei o motivo, mas respeitava a sua decisão. Foram três dias de expectativas, ansioso para ler “Caçadores de Histórias” e ele não aparecia. Subi a nossa colina rumo ao moinho, decidi não esperar mais por Pierre e começar a ler o livro. Minhas mãos começaram a suar, uma ansiedade pairava dentro de mim. O curioso é que eu não sabia o motivo. Não podia acreditar no que estava diante dos meus olhos. O primeiro capítulo daquele livro narrava a morte de uma mulher chamada Isabelle Fontaine, atropelada por um peugeot vermelho enquanto atravessa a rua para encontrar seu marido, Tyerri, e filho, Bernard. Essa coincidência abalou com a minha estrutura emocional. Comecei a chorar e lembrar aquele dia com Camille, o dia em que a pedra preciosa da minha vida me deixava. Como alguém poderia prever o que aconteceria com ela? Porque essa coincidência era tão forte com a minha vida? Deixei as lágrimas de lado e prossegui na leitura. Atento aos acontecimentos do livro, não percebi quando Pierre se aproximou de mim. Fui interrompido pela sua voz dizendo: “- Enzo me perdoe por não ter dado notícias”. Parei a leitura para observar a sua expressão. Ele acrescentou que no outro dia era uma amiga de sua mãe que o esperava em casa. Ela tinha uma filha e que se chamava Luna. Eles foram apresentados, conversaram alguns dias – eis o motivo de sua ausência – e começaram a namorar. Fiquei perplexo com esse acontecimento. Mais perplexo ainda porque era a mesma coisa que estava sendo narrado no livro, quando o amigo de Bernad, Marcus, contava ao amigo que estava namorando. Não restavam mais dúvidas. A minha vida estava escrita nas páginas daquele livro. Reveja: Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10

2 comentários:

Rafa Cullen disse...

:O' Chocay! *-*' O que acontece agora?? *----------*'

Luan Fernando disse...

Eu estava desconfiando disso.
Achei genial essa coisa da historia dele está tecnicamente escrito no livro, muito interessante, talvez assim, ela possa saber o que está por vim antes de acontecer...