14/03/2017

Apaguei suas mensagens do meu WhatsApp



Mais doloroso do que evitar abrir sua janela e desejar bom dia, mais do que ter que se segurar para não perguntar se está tudo bem, mais do que ter o autocontrole de se embriagar e não te ligar novamente, essa semana apaguei suas mensagens do meu WhatsApp. Foi como se eu estivesse dando um ponto final na nossa história que mal começou, como se eu estivesse cortando o fio que nos liga (um fio que só eu via), como se estivesse matando alguém dentro de mim, alguém que gostaria que estivesse vivo.

Antes de apagar, reli tudo. Não consegui evitar um sorriso de saudade quando você falou que era gostoso o som do meu sorriso, de que a cor azul ficava boa em mim e aquela vez que você mandou uma foto minha (muito feia!) para o seu próprio celular dizendo que gostou dela. Prefiro que elas fiquem marcadas na minha mente (e vão ficar), mas não mais no meu celular. Na imaginação meu coração flutua. Na realidade, lembranças sem continuidade torturam.

Vou deixar você bater as asas e voar. Não que a minha vontade fizesse alguma diferença na sua decisão, mas aceitei o fato de que se você quisesse estar comigo, estaria. Se realmente gostasse de mim, faria mais esforço pela gente. Se eu fosse realmente seu remédio para solidão, tomaria doses e mais doses de mim, sem enjoar. Dessa vez, acho que chegou ao fim.

Acho! Bem no fundo resta ainda aquele respingo de esperanças que você abra os olhos e perceba a oportunidade de recomeçar que a vida te deu. Uma nova vida, nova rotina, novas pessoas. Já pensou nisso? Podem passar dias, semanas, meses, mas quando estiver cansado do voo, lembre-se que meus ombros continuam sendo um ótimo repouso e que podemos ter nossas longas conversas introspectivas, regadas de sorrisos descontraídos e leveza.

Leveza. Se para você não está leve, será que não existe algo errado aí?

“Não demora, não. Hoje apaguei nossa conversa e talvez amanhã nossos caminhos podem me levar a apagar você de vez do meu coração. Fechei a porta, mas a janela continua aberta. Você sabe onde me encontrar!”. 

Desejo ardentemente que você reflita nessas palavras enquanto as apago. Palavras essas que nunca deveriam ter sido enviadas pra você.

22/12/2016

A vida contra e a favor da matemática


No ensino fundamental, quando os números ainda não assustam, a ordem é: 1 + 1 = 2. É a lógica da matemática, inquestionável, definitiva e imutável. No nosso subconsciente somos treinados a entender que, assim como no cálculo, absolutamente tudo o que chega a nossa vida é para, obviamente, somar. Já no ensino médio, quando descobrimos os Números Inteiros, a verdade é que o “mais com mais dá mais”, o “menos com menos dá mais” e o “mais com menos dá menos”. É mais uma vez a matemática nos dando uma grande lição:

Quanto MAIS nos aproximamos das pessoas, MAIS fortalecemos laços, o que torna MAIS difícil quando ela, por algum motivo, tiver que sair. Neste sentido, ao contrário do coerente, o mais com mais dá menos. Contudo, quanto MAIS amor nós dermos, MAIS pessoas traremos para perto de nós e, assim, MAIS coisas incríveis vamos experimentar na nossa existência.

Quanto MENOS damos atenção e amor, MENOS recebemos atenção e amor. O resultado é nos sentirmos MAIS vazios e MAIS sozinhos. Só que quando MENOS nos importamos com o que estão pensando a nosso respeito, quanto MENOS basearmos nossas realizações e conquistas nas de outras pessoas, MAIS estaremos fazendo por nós mesmos.

Na balança das relações, a medida é a carga que cada um leva dentro do peito. Há momentos que estaremos MAIS, outros MENOS. Quando no MAIS, naturalmente o MENOS é inaceitável. Quando no MENOS, o MAIS é inapropriado. Enquanto o MAIS e o MENOS se respeitarem nesse sentido, o resultado será MENOS dores, desafetos e ansiedade.

Os cálculos do dia-a-dia serão sempre baseados em problemas, assim como na matemática. Nem sempre o que parece ser fácil será o correto na mesma medida que o difícil é só questão de discernimento.