22/12/2016

A vida contra e a favor da matemática


No ensino fundamental, quando os números ainda não assustam, a ordem é: 1 + 1 = 2. É a lógica da matemática, inquestionável, definitiva e imutável. No nosso subconsciente somos treinados a entender que, assim como no cálculo, absolutamente tudo o que chega a nossa vida é para, obviamente, somar. Já no ensino médio, quando descobrimos os Números Inteiros, a verdade é que o “mais com mais dá mais”, o “menos com menos dá mais” e o “mais com menos dá menos”. É mais uma vez a matemática nos dando uma grande lição:

Quanto MAIS nos aproximamos das pessoas, MAIS fortalecemos laços, o que torna MAIS difícil quando ela, por algum motivo, tiver que sair. Neste sentido, ao contrário do coerente, o mais com mais dá menos. Contudo, quanto MAIS amor nós dermos, MAIS pessoas traremos para perto de nós e, assim, MAIS coisas incríveis vamos experimentar na nossa existência.

Quanto MENOS damos atenção e amor, MENOS recebemos atenção e amor. O resultado é nos sentirmos MAIS vazios e MAIS sozinhos. Só que quando MENOS nos importamos com o que estão pensando a nosso respeito, quanto MENOS basearmos nossas realizações e conquistas nas de outras pessoas, MAIS estaremos fazendo por nós mesmos.

Na balança das relações, a medida é a carga que cada um leva dentro do peito. Há momentos que estaremos MAIS, outros MENOS. Quando no MAIS, naturalmente o MENOS é inaceitável. Quando no MENOS, o MAIS é inapropriado. Enquanto o MAIS e o MENOS se respeitarem nesse sentido, o resultado será MENOS dores, desafetos e ansiedade.

Os cálculos do dia-a-dia serão sempre baseados em problemas, assim como na matemática. Nem sempre o que parece ser fácil será o correto na mesma medida que o difícil é só questão de discernimento.

02/11/2016

CRÍTICA: DOUTOR ESTRANHO SEGUE A RECEITA DOS FILMES DE HERÓIS COM UMA PITADA DE INOVAÇÃO NO ROTEIRO

Desta vez as cenas principais do filme acontecem no campo místico. Temos, finalmente, um herói humanizado.

Diferente dos demais roteiros de heróis já produzidos pela Marvel, Doutor Estranho explora um ambiente em que nenhum outro salvador do planeta sequer já esteve: as batalhas são místicas e no campo de outra dimensão, onde o palpável é construído e desconstruído com a força da mente. Em busca da cura do corpo físico, o neurocirurgião de sucesso, Stephen Strange, acaba descobrindo uma nova porta para a sua alma. Até aí um ponto inovador para tais histórias.

O roteiro envolto do misticismo reafirma que matéria e espiritualidade estão diretamente interligadas, o que não significa dizer que o herói é todo tempo introspectivo [chato, calmo, complacente], igualmente aos monges ou mestres Avatar [inclusive o contrário pode ser entendido no logo nos primeiros minutos do filme]. Em oposição a esse ponto, a morte é uma realidade próxima para o personagem. Finalmente alguém dotado com poderes retratado de forma humanizada: um homem que salvará o universo que precisou ser atendido enquanto estava ferido.

Stephen se destacou pela rapidez no modo como desenvolveu suas técnicas espirituais, o que, no filme, é acessível a qualquer pessoa. Por o herói ter poderes semelhantes ao do vilão, as batalhas tiveram que ser vencidas por estratégia, inteligência e velocidade. Falando em batalhas, o efeito psicodélico quando os personagens estavam na realidade espelhada ficaram ainda mais excelentes no 3D. O domínio sobre o tempo foi outro ponto chave e criativo para a narrativa.

No mais, Doutor Estranho tem o que não pode faltar em um filme de super-herói: personagem principal com vida comum e que nunca se imaginou salvando o mundo; um vilão que se rebelou contra o sistema e agora quer vingança a todo custo; um romance entre o protagonista e uma personagem coadjuvante que em muitos momentos aparece como coringa do roteiro.

O novo filme da Marvel é completo, cômico [até quando não deveria ser], envolvente e com um elemento que outras filmagens da empresa pouco explorou: a força do herói estava alojada o tempo todo dentro de si. Acredito que essa seja a mensagem principal do filme.