22/09/16

Não sou o homem que você procura

Cá entre nós, eu não sou o tipo de homem que você procura. Já entrei na academia, perdi 4kg, mas não tenho abdômen tanquinho. Meus bíceps não se definem na manga da camisa, tampouco tenho olhos claros. Pra falar a verdade, nem cabelo tenho! Meu dente é falhado na frente e meu nariz estica quando sorrio. Minha mãe diz que eu sou bonito, mas quem acredita em mães?

Repito: não sou o homem que você busca. Logo pela manhã, de repente, do nada, consigo comer quatro pães e ficar mal humorado o dia inteiro. É que me sinto inchado. E vou descontar em você, por qualquer deslize, por qualquer olhar torto e ou até mesmo só por me desejar bom dia.

Às vezes, à noite, vejo televisão sozinho, pensando na vida, desejando comer pizza. Eu. Amo. Pizza. Eu trocaria tudo por pizza. Eu trocaria você por pizza. Tá vendo? Não sou o homem que você procura. Mas, vai lá, me paga uma pizza?

Sou esquisito. Deve ser pelo meu gosto incomum de fazer coisas sozinho. Não me leva a mal, é que às vezes tenho preguiça de manter diálogo. Principalmente se for pela manhã. Principalmente se o papo for desinteressante. E, PRIN CI PAL MENTE, se no meio da conversa você discordar da minha opinião. Não suporto quem discorda da minha opinião.

Sou difícil. Minha mãe, que me conhece tão bem, vive dizendo que tenho prazer na teimosia. Para não concordar, obvio que digo que não, mas é verdade. Sou teimoso, cabeça dura, incisivo, diferentão. Se todos vão de preto, estarei de branco. Se todos dizem que vão, digo que estou voltando. Se pedem três, eu quero quatro. Será que você suporta isso?

Eu sei que não.

Por isso não sou o homem que você procura e muito menos você é o meu. O homem que eu procuro irá saber lidar com tudo isso. Irá saber que, de manhã, não preciso de “bom dia, amor” e sim de um abraço apertado e um cheiro no cangote. Ele saberá que a noite eu vou querer comer pizza, todos os dias. Ele saberá que eu sou teimoso, mas com um coração tão doce quanto mel. Grosso, mas sensível. Ele saberá como mudar minha opinião. Ele provará que, com carinho, persistência e cuidado é que se ama de verdade.

E esse homem provavelmente não é você.

17/06/16

CRÍTICA | COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ

Filme romântico, que não se apega aos clichês tradicionais.



A receita de bolo de um filme romântico é simples e todos já conhecem: duas pessoas de mundos diferentes se apaixonam, vivem momentos intensos e únicos, acontece algum conflito que atrapalha a felicidade do casal, eles superam os problemas com a ajuda da melhor amiga e vivem felizes para sempre. Por sorte, Como eu era antes de você traz uma narrativa aquém desse feijão com arroz: é um romance sutil, leve e com o toque de realidade que emociona e gera profunda apatia do público.

O roteiro de Jojo Moyes, adaptação do livro também escrito por ela, conta a história do aventureiro Will Traynor (Sam Clafin). Após um acidente ele acaba tetraplégico. Por depender totalmente das pessoas, torna-se um homem amargurado, irônico e de difícil convivência. Will tem personalidade semelhante ao Christian Gray, de Cinquenta Tons de Cinza, no que diz respeito ao amor à vida, ao dinheiro, às mulheres e às aventuras. Até que Louisa Clark (Emilia Clark), jovem do campo, sem muitos atrativos, sem expectativa de vida e sem nenhuma qualificação é aceita para trabalhar como cuidadora de Traynor e colorindo de alguma forma sua existência.

O primeiro ponto de reflexão explorado pela narrativa é a preocupação em mostrar que os limites vividos por um cadeirante podem ser superados. O segundo, e não menos importante, é o retrato real da eutanásia. Uma pessoa pode, sim, decidir parar de viver por motivos de limitações físicas, sem que isso seja caracterizado como suicídio.

O terceiro ponto e grande diferencial da história é que o amor pode certamente nos fazer felizes por alguns momentos, mas que em nada muda o curso da nossa história ou nos torna uma pessoa diferente. A lição dada pelos personagens principais é que a relação de um casal se alimenta da vontade de fazer o outro se sentir bem, sem esquecer que sua individualidade interfere diretamente na vida do outro e é aí que decisões que parecem egoístas devem ser tomadas.

Esses elementos interligados fazem de Como eu era antes de você um romance atual, realista, que não se apega aos clichês, certamente irá agradar aos fãs do gênero. Quem leu o livro irá sentir falta de alguns detalhes que enriquecem a história, mas é importante lembrar que a própria autora da obra fez a adaptação do roteiro, então a semelhança é maior que o convencional.

Serviço - Como eu era antes de você está em exibição no Cine Star, em Imperatriz, no Tocantins Shopping, em quatro sessões: 14h20; 16h30; 19h30 e 21h40, em versão dublada e 2D. O exemplar do livro pode ser adquirido na Livraria Interativa, localizada no primeiro piso do Tocantins Shopping, por R$ 38,90. Os ingressos para o filme podem ser adquiridos pelos seguintes valores: segundas e quartas R$ 12,00; terças e sextas R$ 7,00 (exceto feriados e sessão de pré-estréia); quintas, sábados, domingos e feriados R$ 14,00.