03/09/2013

Traição (Parte I) - O amante

Eu andava sozinho já havia um tempo e cada pessoa que tocava no meu rosto com algum mínimo gesto de carinho era como ganhar na loteria.

Eu estava em um lugar qualquer um dia de terça-feira e uma mulher de vestido vermelho e cabelos longos e louros me olhou no fundo dos olhos. Não perdi tempo e  retribui o olhar com um sorriso, o mesmo que faz um lobo faminto. No momento salivei, propício a devorar até sua alma.

Foi então que a tomei em meus braços e a conheci.

Na verdade, conheci seu corpo: a firmeza das mãos, o olhar penetrante e o coração delicado.

Foi paixão a primeira vista. Com poucos minutos de conversa, descubro que ela já tinha dono.



“Mas se está comigo aqui e agora, então seu dono sou eu”, pensei, adverso a qualquer devaneio que poderia estragar o momento. Nos acariciamos, nos tocamos e, enfim, nos beijamos. O gosto da saliva era bom. O toque na nuca me enchia cada vez mais de desejo para tê-la em meus braços.

Alguns dias se passaram depois do nosso momento especial e ela fez as pazes com o namorado. Me vi ficando de escanteio a cada segundo, por mais que eu dormisse e acordasse com ela cabeça. Às vezes pegava sua foto no celular e ficava fitando seu sorriso congelado, lembrando das primeiras vezes que sorriu pra mim. Mas nada disso valia a pena se sua cabeça não estivesse encaixada contra o meu peito.

Conversamos um dia desses e ela me deu o último beijo. “O último dessa semana”, pensei, mas estava enganado. O tempo passou e a única coisa que permaneceu em mim foram as lembranças dos poucos encontros que tivemos. Era hora de erguer a cabeça e aceitar, por mais difícil que fosse, que ela jamais seria minha.

Eu até poderia ter novamente o seu corpo, mas dificilmente teria totalmente o seu coração e conto de fadas não teria um final feliz.
Ou não. 

Essa é a primeira de três partes desse conto. Pretendo penetrar na mente de um triângulo amoroso para que as pessoas (e até eu) entendam o que se passa na cabeça de quem vive essa situação. Para escrever essa pequena série me baseio em uma história que acompanhei de perto. Espero que gostem!

2 comentários:

Mª Fernanda Probst disse...

Que triste isso, de querer e não poder. Apesar d, foi lindo. Sei lá, eu sempre achei que tinha um pouco de beleza na tristeza.


Espero um final feliz para esse conto.

Beijinho,
MF

Italo Stauffenberg disse...

sei bem o que se passa na mente de alguém que vive um triângulo amoroso e não é nada legal, bem instável a parte daquele que fica no escanteio... enfim! bom conto! esperando os próximos capítulos!