13/05/2015

Vai ser sempre assim

Na infância, quando passeava sem preocupação alguma pela orla da cidade, observava os casais conversando e trocando carícias, sem saber ao certo o que aquilo significava. Na minha mente a única ideia que se passava era de que aquilo podia ser bom, e se era bom eu queria pra mim também. Mesmo com pouca idade aquela dinâmica me despertava sensações boas. Era interessante ver como os casais sorriam, respiravam normalmente e mostravam expressões relaxadas e felizes.

Quando adolescente, minha primeira paixão foi pela loirinha que sentava na cadeira a minha frente na escola. Ela era incrível sem fazer esforço algum. O melhor dia da minha vida até então foi quando me pediu um lápis emprestado e me beijou o rosto. No dia seguinte foi a diretoria, solicitou transferência e mudou de escola. Era eu, desde cedo, aprendendo que nem tudo é do jeito que queremos.

Cresci e aquela ideia da infância ainda era quente entre os meus desejos. Queria sentir como era a vida a dois; como era acordar pela manhã e ter um sms de bom dia; chegar em casa e receber uma ligação só pra saber onde e como você estava; dormir e acordar pensando em alguém e ter a certeza de que aquela pessoa perfeita também está pensando em você. Aí chegou o tempo de maturidade e muita coisa mudou.

Tive muitas mulheres e acabei também conhecendo os homens. Me interessava às vezes por um, às vezes por outra, mas não ia a frente com medo de abrir as portas da minha vida, me apaixonar e sofrer como um cachorro faminto em frente ao açougue. E quem disse que eu conseguia? A cada amor, era como se as experiências passadas não existissem e eu sempre permitia que os sentimentos me levassem para a onde a vontade apontasse. Resultado? Coração no chão, ferido, quebrado.

Eu tentava ser fiel às minhas paixões, até descobrir que era fiel sozinho. Tentava fazer o outro feliz, até que descobri que ser feliz é uma questão interna e pessoal, nada a ver com terceiros. Tentava marcar a vida de cada pessoa, fazer ela viver coisas intensas e diferentes, até que eu cai e a ficha de que as pessoas só estão interessadas nelas mesmas desabou junto comigo.

Sabe aquela criança, boba e inocente, que acredita em amor entre dois desconhecidos? Pois é, a maldita ainda está viva dentro de mim. Ela esperneia, briga, chora, tem fome e sede. Tento não alimentá-la para que morra, mas é leviano, e a cada dia ela grita para que eu e o mundo entenda: “Seja para alguém o que você quer que sejam a você e não deixe que o mal das pessoas acabe tornando também o seu mal". Esse é o preço que se paga por simplesmente ter esperanças.

Nota de esclarecimento: Talvez esse texto não seja condizente a realidade do autor. Talvez.

Um comentário:

Allan Penteado disse...

Não li o texto todo, confesso. Muito romântico, hshshs Acho que tô mais pra desiludido!