16/02/2013

Qual sua profissão? Sou prostituta!

Está sendo discutido um projeto de lei que regulamenta a profissão da prostituição feminina. Mas quem pode querer ser conhecida assim?



Se você está lendo esse texto uma das possíveis razões foi pelo impacto do título, sem dúvida. Se essa simples frase foi motivo de chamar a sua atenção, caro leitor, imagine alguém convivendo com esse título e admitindo ter essa profissão todos os dias da sua vida? Semana passada soube de uma notícia no "Jornal O Progresso" que faria com que inúmeras meninas e mulheres passassem por essa constrangedora situação.

A Câmara Federal discute um projeto de lei, sugerido pelo deputado federal Jean Wyllys, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que regulamenta a profissão de prostituta. Consultei um advogado para que me explicasse quais os benefícios de quem expusesse sua vida sexual de tal forma. Segundo ele, esse projeto visa, em primeiro lugar, inserir a profissão na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), o que vai garantir direito às prostitutas de se aposentarem e terem acessos a verbas trabalhistas e afins.

Antes de o leitor tomar uma posição contra ou a favor desse fato, quero contar-lhes a história de Rebeca, nome fictício, claro, pois ela pediu sigilo e não quis ser identificada – forte indício de que ser tratada como prostituta causa vergonha em que sobrevive dessa forma. Ela tem apenas 24 anos, era evangélica, mas saiu da igreja e entrou na prostituição porque não conseguia arrumar outro emprego.

A conheci pela internet - meio onde encontrar esse tipo de profissional tornou-se mais fácil e sigiloso -, especificamente no bate papo do site UOL, em uma das salas de Imperatriz/Maranhão. Perguntei como se sentia por ser prostituta e ela respondeu: “Me sinto um lixo. Um dia sai com um homem, fomos pro motel e depois ele foi me deixar em casa. Quando chegamos ele disse que não ia me pagar porque já tinha conseguido o que queria. Me senti humilhada”. Perguntei ainda porque ela não procurava outra forma de sobreviver. Ela respondeu: “Não consigo encontrar. A prostituição é mais fácil”.

Rebeca se torna a ilustração mais fiel do que faz inúmeras mulheres no Brasil e no mundo se inserirem de uma ocupação cruel e desumana. Outros fatores são a falta de oportunidade no mercado de trabalho, baixa escolaridade, abandono da família e situação econômica desfavorável.

Apesar de garantir os direitos das prostitutas e tentar oferecer o máximo de apoio a essa profissional, não se pode regulamentar um ofício que expõe o indivíduo a situações constrangedoras, que trata o ser humano como mercadoria, que oferece o melhor de cada pessoa como pedaço de carne. Nesse assunto estão envolvidas questões que vão além da oferta sexual, são questões de moral, sentimental, pessoal, que mudam histórias de todas as partes envolvidas. Regulamentar essa profissão é jogar no lixo todo conceito de direitos humanos construídos por todos esses anos.

10 comentários:

Gabriel Santos disse...

Realmente é uma situação difícil.É muito fácil as pessoas jugar a outra sem ao menos conhece-las.
Antes da prostituição ser aceita como profissão, esse políticos deveriam dar mais oportunidades de empregos dignos a essas moças, e ajuda-las tanto financeiramente como psicologicamente. Pois as prostitutas não devem se orgulhar disso.
Parabéns pelo post, muito bom!

http://refugionofimdouniverso.blogspot.com.br/

sobrefatalismos disse...

Não sei exatamente o que devo opinar. Por um lado, considero justo o direito e até mesmo o respeito que essa profissão terá ao ser regulamentada. E também, não devemos julgar todas as prostitutas do país por um caso isolado de uma menina que você conheceu no bate-papo da UOL. Não caio nessa de que não se pode arranjar outra profissão. ninguém a obriga a ser o que é. E "ser" nem é o termo exato. Prostituição não é fatalismo, é estado provisório. Para mudar a própria história, basta ter força de vontade.
Abraços.

Babi Farias disse...

Jota, eu também era contra, mas depois lendo mais sobre comecei a entender todos os motivos pelos quais querem regulamentar. Parte do princípio de que há outras opções de trabalho sim, foi como a Nina disse: por necessidade se fazem coisas que não queremos, mas é um período transitório.
O que dizer? É a profissão mais antiga do mundo e a moral nada mais é do que um conceito cultural e em tempos de que é dito e apregoado "sou dona do meu próprio corpo", uma maior de idade poderia muito bem se regularizar na profissão e estaria mais "segura" quanto às agressões que sofrem e à calotes. Sem contar que iria combater a escravidão sexual infantil. Isso beneficia não só mulheres, mas também homens e transexuais que também sobrevivem em vidas paralelas.

Indico a leitura desse texto:
http://www.socialistamorena.com.br/o-direito-de-existir-eu-como-voce/

Abraços.

Caroly Assis |Sonhos Perdidos| disse...

nossa gostei muito do teu texto, hehe o titulo é impactante sim e foi ele que me conquistou! ja tinha ouvido falar sobre esse assunto e pelo amor ne? tem cabimento? agora lendo o texto tive a oportunidade de conhecer o que uma garota de programa pensa sobre o assunto! hehe produtivo!
bjãooo

sonhos-perdiidos.blogspot.com.br/

Tânia disse...

Concordo com voce, James!
O ser humano não é comercializável, não é um produto!

Fred Caju disse...

Massa. Cheguei por aqui devido ao nome do sítio. Sempre fui leitor do Cabral e sempre gosto de ver sua obra repercutindo por aí. Abraço!

Lucas Reis disse...

Seria impossível eliminar a prostituição do mundo, então, sou a favor da legalização mesmo! Algumas pessoas podem ter motivações religiosas que dizem respeito à dignidade, mas eu sou mais prático e penso que talvez esses profissionais (de ambos os sexos) se beneficiarão com essa medida. Assim, quem sabe, essas pessoas não param de ser exploradas; além de que a violência que por acaso sofrerem terão as punições cabíveis.

Enfim, eu preciso pensar mais sobre isso!

Nati disse...

Se há uma hipótese, chance de regularizar essa profissão que umas escolhem porque querem, outras por falta de opção e outras por falta de instrução, é porque tem alguém que quer ser reconhecida assim. E hoje em dia é o que tem de mais comum por toda a cidade, seja do interior ou não. Tem a prostituta de luxo e a mais pobre. Então que se é para o bem de quem exerce essa profissão que assim seja feito.

Esses tempo li um livro que se chama Filha, mãe, avó e puta, fala sobre prostituição, especificamente de uma universitária que virou prostituta, talvez tu goste.
Beijos

Mundo de Nati
@meuamorpravoce

Keh*** disse...

Olá James, tudo bom?
Eu mudei de endereço, iniciei com um post ONTEM é uma TAG = 7 COISAS...
E inclui você na tag, gostaria que você participasse e fizesse uma visitinha no meu novo endereço: http://asmulheresemmim.blogspot.com.br/2013/09/tag-7-coisas.html

Espero que goste, bjos***

PS: AMEI ESTE POST PARABÉNS!!!

Erica Ferro disse...

Assunto polêmico. Eu não tenho uma opinião sobre isso. Na verdade, todo o contexto é algo muito pesado: prostituição e essa tentativa de profissionalizar isso. Não sei mesmo o que dizer.
Sei que... sei lá. É complexo. Sei não... hahahaha.

Um abraço!

Sacudindo Palavras