17/09/2012

Aprendizado


Até o sol amanheceu de luto naquele dia. Chorava, mudo, entrando em uma melancólica harmonia com o restante dos elementos da natureza. Ele insistia em se esconder entre as nuvens, não permitindo com que aquele homem presenciasse algo que poderia lhe dar ânimo e lhe encher novamente de motivações que o ajudariam a continuar. 

Enquanto andava cabisbaixo pela rua cinza, seus dedos dentro dos bolsos da calça jeans, surrada e rasgada pelo tempo, congelavam de medo ao pensar que teria de enfrentar o mais difícil desafio da sua vida até o presente momento. E como um filme antigo, as lembrança de tempos passados tomavam de conta da sua mente. Uma lágrima se esboçou no canto dos seus olhos azuis, impedida de cair pelo forte vento gelado.

Lembrou-se das diversas vezes que viu um conhecido abatido e, sem dizer coisa alguma, lhe golpeou com um forte abraço mostrando afeto e trazendo segurança ao seu próximo. Lembrou-se também de certa vez que viu uma amiga derramando lágrimas amargas por perder os pais em um terrível acidente. Ele não sabia o que dizer, mas sua presença ali, naquele momento difícil, foi o suficiente para que um sorriso surgisse nos lábios daquela garota. 

Mas, naquele dia em especial, ele precisava que alguém tivesse a mesma atitude que a sua. Quanto mais olhava no fundo dos olhos das pessoas que passavam por ele na rua, mais desacreditava no amor e na verdade entre os homens. Ninguém era capaz de sentir e se compadecer da sua dor. Nenhum ser humano sequer teve a coragem de enfrentar o seu ego e, se humilhando, demonstrar amor àquele empresário, que golpeado pelas escolhas erradas, perdeu tudo e agora vivia como andarilho, sem endereço, renda ou alguém. 

Aos poucos ele entendeu que o dinheiro não tem valor. Que reconhecimento, fama, elogios são na verdade venenos fatais que sufocam a parte boa que existe dentro de cada um. Finalmente ele entendeu que para viver bem é preciso somente de carinho, afeto, segurança e, principalmente, atenção, então compreendeu que o amor não se vende e nem se troca, simplesmente se oferece. Aprendendo tudo isso aquele andarilho passou a ser o homem mais rico de toda a história e agora se sentia na obrigação de fazer com que o resto do mundo enxergue da mesma forma.

2 comentários:

sobrefatalismos disse...

Sou adepta da verdade absoluta de que é impossível ser feliz sozinho. O ser humano necessita de seus semelhantes para de tudo um pouco: receber e dar conselhos, carinho, atenção, afeição. Eu também já precisei muito de alguém do meu lado, que me servisse de consolo, mas não podemos ter tudo. Ser humano também é difícil de lidar e compreender.
Abraços.

Juliane S. Rocha disse...

Obrigada.