07/06/2010

ESPERANÇA JUDIA

Viver na Alemanha nazista era como entrar em um labirinto traiçoeiro. Não tinha saída, a não ser a tolerância de esperar uma oportunidade para fugir. Principalmente para uma judia, como eu. Da janela do meu quarto, escuro e úmido, acompanhada por uma vela derretida, escondida de toda agressão que os judeus viviam naquele momento histórico, eu via a neve cair em sua sutileza. O que mais me incomodava era vê-la, ao longe, livre, caindo no chão sem nenhuma intenção ou preocupação. Ela caia. Simplesmente caia.

Esse clima de perseguição me destruía emocionalmente. Eu era jovem e linda, queria ter os mesmos privilégios como tal, mas, talvez por ironia do destino, nasci numa família de religião proibida. A cada batida na porta da minha casa uma nova porção de adrenalina era liberada no meu corpo. Angústia, medo, dor... Sentimentos e sensações de perseguição e morte tomavam conta de mim.

Um dia, o mais tenebroso fixado em minha memória, iniciou com uma nova batida na porta. Meu coração acelerou. Eu podia sentir o sangue da morte escorrendo por minha garganta seca. Era meu pai. Seu rosto denunciava preocupação e alívio em ter chegado em casa. Mas, na pressa, pôs em mim um casaco e me tirou a força do meu quarto.

Do lado de fora tinha três homens armados. Eu não tinha força pra gritar e sair daquele abraço sem amor. O que eu pude fazer foi deixar com que me levassem a força, presa nos braços do maldito troglodita alemão. Uma última olhada por cima dos ombros dele e a imagem do meu pai empurrando minha mãe para dentro de casa e meu irmão aos prantos me acompanharam por anos. Meu coração parou. Eu desmaiei nos braços do alemão. Acordei, talvez dias depois, ao redor de muita gente. A princípio não entendi o que estava acontecendo.

Mas era como se fosse um sonho. Meu pai, agora sorria. Meu irmão, sentado no colo da minha mãe, exibia um ar de aprovação ao me ver. Ao longe, o trem zarpava sua última chamada para a partida. Tínhamos escapado! Lembrei daquele homem, o que me pegou a força. Queria agradecer-lhe por esse presente. Só não entendi o porquê de aquilo tudo ter acontecido, a repressão, a falta de justificativa, enfim, mas nada importava agora. Do céu, a neve caia. Livre. Assim como eu a partir de agora. Sim, a minha liberdade tinha agora um delicioso sabor de neve.

8 comentários:

Saraiva ® disse...

Meu Deus que texto +.+ amei mesmo.

Continua assim , encantando com as tuas magicas palavras .

Ju Fuzetto disse...

obrigada pelo carinho lá no meu espaço!!


Gostei muito daqui!!!

abraço

Taw disse...

Hum... não importa o nível tecnológico, quando se instala o caos e inevitável que a loucura alcance ao poder.

:(

:/

que haja liberdade no fim...

:P

sarah disse...

verdade, eu prefiro a liberdade .
mas aconteceu, e ainda creio que não como o nazismo, mas a maldade ainda reina !


acontece!

Sara disse...

Claro, eu vou tentar fazer. Mas essa semana está super corrida. Eu posso tentar no sabado pode ser? Qualquer coisa me manda um email de como você quer, preferencias e tudo para mim não errar. Pega meu msn lá no blog, em contato tá?

Sara disse...

Ok, assim que eu estiver disponivel eu faço. Até no sabado fica pronto.

Jussara Nascimento disse...

Mereceu o primeiro lugar! Parabéns! :D

kari almeida disse...

Que lindo seu texto, mt tocante *_*
visita: http://karikariq.blogspot.com/