20/07/2013

A bolsa era o sinal

Enquanto ela devora com os olhos a gondola de sapatos da loja, admirando aquilo que não pode comprar (desde criança é ela é louca por calçados. Certa vez comprou a metade do salário em pares que até agora nunca usou. Hoje ela está sem dinheiro, pagando as parcelas finais de sua última visita ao shopping), eu admiro seu rosto angelical, coberto por uma maquiagem leve, dando destaque ao sinal negro em sua bochecha. Eu adoro aquele sinal! Na verdade, eu adoro tudo nela. Tudo nela é simples, meigo, doce... Tudo nela me encanta e reencanta, cada vez que, ligando mais para os sapatos do que para mim, ela se vira perguntando se eu prefiro o azul ou o dourado, com aquele sorriso lindo nos lábios e os olhos puxados do desejo compulsivo por sapatos - o que não aconteceu muitas vezes, infelizmente. Tudo nela está fincado involuntariamente em mim.




Eu seguro sua bolsa (a única parte dela que eu posso tocar), imaginando como seria envolver sua cabeça contra meu peito, sentir de perto o perfume de marshmallow da confeitaria de sua mãe, sentir seu hálito frio e confeitado na minha orelha me chamando de amor ou de alguma outra palavra carinhosa. Eu guardo esse desejo desde que terminei meu último relacionamento. Que, inclusive, foi por causa dela. Por causa não, por amor a ela. É, confesso: eu a amo, mas nunca deixei que soubesse desse fato. Se for para acontecer, que seja sem minha intervenção.

– Qual desses dois você prefere? – ela pergunta, me mostrando um sapato azul e outro rosa.
“Tanto faz, você fica linda usando qualquer um dos dois. Ou melhor, você é linda de qualquer jeito”, penso, quase despejando as palavras aos gritos de excitação quando percebo que ela finalmente procura por mim. Ao invés disso viro o rosto e não respondo. Sou frio.

Não era para ter sido assim.

– Aconteceu alguma coisa? – pergunta.
– Não.
– Então porque você me tratou desse jeito? – ela põe os sapatos em cima da poltrona mais próxima e segue em minha direção. Eu me viro novamente, frio, sem querer olhar em seus olhos e agir por impulso.

Não era para ter sido assim.

– Nada. Só queria ficar um pouco sozinho – não é bem essa a resposta que eu queria dar.
– Ah! – é só o que ela responde, fazendo uma careta de desentendida. Pega os sapatos de cima do banco e os coloca de volta na prateleira. Olha em meus olhos e sai sem se despedir. Sua bolsa ainda está em minhas mãos.

Baixo a cabeça e abro um sorriso fino, seguido de um leve suspiro, quando penso que esse pode ser o sinal do qual irá nos unir para sempre.

11 comentários:

Sil disse...

Muito bom o texto, mas acho que o garoto ai da história entendeu tudo errado hehehehe. Porque será que é tão difícil a comunicação entre duas pessoas ?

http://blogprefacio.blogspot.com.br/

*♡* Jane Dos Anjos *☆* disse...

Olá... homens e suas manias de acharem que nós mulheres temos o poder de descobrir coisas... se bem que esse poder eu tenho... rsrsrsrsrs
Amei o texto, leve, bem escrito, chega a ser suave as palavras, só achei que ele poderia ter mais atitude.
Obrigada pela visita, retribuindo com o mesmo carinho e ficando por aqui.
Bjs

http://www.artesdosanjos.com.br/

Paula Souza disse...

Gente, adorei o lay do seu blog!
Tudo tão lindo, tão profissional ^~
parabens :D
Seeguindo ;)
beijinhos, Paula
http://psicosedaleitura.blogspot.com.br/

just me disse...

Adorei o texto, super fofo e com uma visão diferente das que estou acostumada, o que é bom!
Bjs

http://achadosdamila.blogspot.com.br

Thamires Rodrigues disse...

Surpresa com os comentários. Os homens são fáceis de lidar e digamos que olhando de modo geral já deu até pra imaginar o rapaz embasbacado a olhar pra ela, tentando não demonstrar o que sente... Prestar atenção nas pessoas é uma ótima forma de começar algo e particularmente já odiei essa moça do texto. Enfim, parabéns pelo texto, ficou muito bom!

http://marcaprovisoria.blogspot.com.br/

Raquel Pereira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Raquel Pereira disse...

Nossa, eu amei vou postar lá no meu blog para as minhas leitoras, posso?
Me manda a resposta por e-mail tá? (raquel2010piloes@gmail.com)

Eu tbm escrevo mas, são sempre cronicas, eu já escrevi alguns contos mas, nunca saíram do papel.
Você tem talento!

www.historiaimperfeita.blogspot.com.br/

Italo Stauffenberg disse...

não sei por que , mas lembrei da Amora de "Sangue Bom". rs e cara, se fosse mulher, teria uma coleção de bolsas e sapatos! por que, eu como homem, acho muito "sexy" uma mulher que escolhe bem um bom salto e uma bolsa de grife! kkkk abração, James!

Maressa de Sousa disse...

Nossas essas coisas acontecem mesmo, a gente pensa uma coisa e fala outra, especialmente quando o assunto é amor!

Gostei muito do blog, lindo layout *-*
Estou seguindo ^^

(desconstruindoaspalavras.blogspot.com.br)

Erica Ferro disse...

Esse ser humano tem que honrar os culhões e falar 'eu te amo' pra essa Beck Bloom brasileira. Só digo isso. HAHAHAHAHA

Você escreve muito bem, James. Manda bem em qualquer estilo literário. Arrocha, nego do Maranhão!

E qualquer dia vou aceitar teu pedido de casamento, hein? hahahaha

Amei seu comentário no Sacudindo, viu? Adoro seu carinho e o seu companheirismo bloguístico! ♥

Sacudindo Palavras

Allan Penteado disse...

James, irmão o que aconteceu contigo? Excluiu o facebook? Vê se aparece. Essa semana é sua no blog! Abraço!