17/02/2014

A infância segundo o filme Ninfomaníaca

Geralmente as crianças imaginam que na vida adulta tudo é um mar de rosas. E às vezes é. Mas o que elas não sabem (e que poucas pessoas já crescidas também não fazem questão de perceber) é que a saúde emocional e sentimental de um adulto depende dos episódios vividos nas primeiras fases da vida. Pelo menos é isso que mostra o filme Ninfomaníaca – Volume 1, que estreou nos cinemas em janeiro deste ano.



Se você já assistiu ao filme esqueça a depravação das cenas de sexo e as imagens dos órgãos genitais – que certamente chamam a atenção e retiram o olhar de quem está no cinema para a real motivação do filme. Perceba que Joe (Charlotte Gainsbourg e Stacy Martin) sofreu na infância com uma mãe que não lhe dava atenção e, sobretudo, orientação. Ela descobriu sozinha seus estímulos sexuais e, a medida que foi crescendo, a carência da maternidade abriram caminhos para o que se tornou vício sexual.

Apesar de ter um pai presente, que lhe contava histórias e a levava a ver o mundo de forma poética e musical, a personagem construiu uma barreira entre suas dúvidas e sua família. O resultado desse embate foi ela se permitir ser vencida pelas dúvidas e desejar alimentar aquilo que se sustentava seu corpo – o sexo. O vício foi conseqüência. O sexo para Joe se tornou refúgio para não sentir dor. O que ela não percebia é que quanto mais tentava fugir das marcas dolorosas da vida, mais ela se prendia àquilo que lhe causa mágoa e tristeza.

Esses pontos nos fazem imaginar que tudo poderia ter sido diferente se houvesse na família da personagem demonstrações de amor entre ela e sua mãe, o que extinguiria o sentimento de rejeição e não impedisse o diálogo tão íntimo dentro de casa. Essas são as reais necessidades das crianças, que precisam ver o mundo sobre a ótica de alguém já experiente, de modo que a construção do certo e do errado seja hereditária e não um aprendizado solitário.

2 comentários:

Daniel Henrique disse...

eu gostei do filme, e achei bem menos chocante visualmente do que os anteriores do louco do Lars von
Trier

Gostei muito dos efeitos dos números e gráficos para ilustrar certas ideias

Erica Ferro disse...

Não vi o filme. Não tenho o que comentar (risos).
Mas que esse filme tem dado muito o que falar, ah, isso tem.

Um abraço!

Sacudindo Palavras