08/04/2013

Pânico no Circo: Uma história de boas risadas e pagação de mico

Tenho certeza que assim como eu, as pessoas entraram naquele circo sem saber o que esperar do espetáculo, motivadas somente a se divertir. Mas algo me incomodava naquilo tudo. Era dia do jornalista e quando recebi o convite para participar do evento veio sobre mim uma sensação de que no meio do show haveria uma espécie de prenda para esses profissionais. Uma pagação de mico coletiva, eu imaginava. O que eu jamais poderia pensar é que essa sensação fosse se concretizar, muito menos que a classe da imprensa teria só um representante nessa ocasião constrangedora: Eu. 

As pessoas entravam, saiam, trocavam de lugar e o burburinho tomava conta debaixo da lona quente e pouco iluminada. Até então só penumbra, pipoca e suor até que uma voz se sobressai chamando atenção de todos. Ela dizia que era proibido fazer filmagens do espetáculo, tirar fotos ou algo do tipo. Peguei meu celular ligeiramente, fiz uma foto da multidão e publiquei em uma rede social. Talvez o que aconteceu foi consequência desse pecado.

Foto da plateia antes de iniciar o espetáculo


Luzes no palco. Surgem dançarinas cansadas se movimentando suavemente, pouco empolgadas. É a vez do malabarista. Agora é com a contorcionista. É tua vez Daniela, a mágica. O homem pássaro vem mostrando o físico e subindo em um tecido branco ao som de Adele, bem melancólico. Agora é a vez dele, o momento mais esperado pelas crianças. O feitor de toda essa história inesquecível. Ele. Com maquiagem esbranquiçada e sorriso além da boca. Sapatos grandes e roupa laranja. Ele. Batatinha, o palhaço. 

Ele entra no palco e seleciona algumas pessoas para sua apresentação. Ao que parece procurava por gente com estereótipos específicos. Uma mulher loira, um jovem de boné e um homem forte, bem gordo, foram os primeiros a sair da plateia e enfrentar o palco. Faltava mais um. Ele sai disparado a procura do último personagem. Entra na ala da arquibancada que estou sentado e meu coração já começa a acelerar. Ele vem subindo em minha direção. Meus amigos a essa altura já estão no ápice do êxtase sugerindo ao palhaço o que estava sentado ao meu lado, que por sua vez clamava ajuda dos céus para que não fosse ele o escolhido. Então aquela mão coberta por uma luva branca me convida ao centro do picadeiro. Eu aceitei, morrendo de vergonha, motivado pelos aplausos do restante dos "amigos" que tenho. 

A primeira palhaçada foi brincar com o cabelo dos personagens, até que Batatinha parou na minha frente, colocou as mãos na altura da cintura e se perguntou: "E agora, onde eu vou mexer?". A plateia se esbaldou em risadas. Ele então se encurvou para trás e deu uma leve arrumadinha na minha sobrancelha. A plateia mais uma vez se acabou de rir.

Minha apresentação no circo. Crédito da foto: Welbert Queiroz


Cada personagem tocava um instrumento imaginário. O meu foi uma guitarra. Mas calma, a coisa fica pior! Quando menos imagino ele me faz cuspir um chiclete imaginário no chão e gritar "Iaê", "Iuruul" e "ouw" pra plateia, que não se aguentava de tanto rir. E lá vai eu, tocando minha guitarra imaginária, me sentindo um Jimi Hendrix da vida, com uma peruca horrível na cabeça, disfarçando a careca. 

Apesar de ser uma situação pressentida, causar pânico e sensação de bem estar ao mesmo tempo, além de me traumatizar pelo resto da vida me motivando a nunca mais querer ir a nenhum circo (só que não!), foi divertido. Pude provar a magia de um espetáculo bem de perto, a base do improviso, rindo junto com o publico de mim mesmo. Penso que cada pessoa deveria viver a vida assim, fazendo dela um show aberto a todas as idades, cheio de risadas de si e para si.

Essa história é real. Aconteceu comigo enquanto eu visitava o Circo Estoril, ontem (domingo). Viva ao circo. Viva ao jornalismo. Viva ao riso. Viva ao mico.

Um comentário:

Cássia Vicentin disse...

Haha, que legal! Adoro circo, acho que eu iria gostar MUITO de participar de um número!